Um orçamento fotovoltaico depende do que não está no catálogo: o estado da cobertura, a sombra de dezembro, o espaço no quadro e o perfil de consumo.
A visita técnica transforma pressupostos em medições — e é por isso que qualquer proposta fica sujeita a ela.
Este artigo explica o que se verifica no local, e porquê.
Porque é que a visita decide o orçamento
Uma proposta responde a duas perguntas: quanta energia é possível produzir naquele sítio, e o que a instalação elétrica do edifício permite. Nenhuma se responde à distância. Dois telhados com a mesma área, a duzentos metros um do outro, podem aceitar potências diferentes, exigir fixações diferentes e produzir valores diferentes.
Cobertura e estrutura: o que se mede em cima do telhado
Regista-se primeiro o tipo de cobertura: telha cerâmica ou de betão, fibrocimento, chapa trapezoidal, painel sanduíche, junta alçada ou cobertura plana. Cada uma tem a sua família de fixação — ganchos de telhado, parafusos de suspensão ou grampos — e a escolha depende do material e da subestrutura por baixo.
É essa subestrutura que interessa a seguir. O ripado, as varas e as madres decidem onde as fixações assentam, porque a fixação tem de chegar à estrutura e não à telha. Madeira degradada, fibrocimento fissurado ou chapa fina mudam a solução: ou há trabalho de estrutura antes dos módulos, ou o sistema é outro.
Mede-se depois a área útil, que nunca é a área do telhado: descontam-se chaminés, claraboias, águas-furtadas, distâncias aos bordos e corredores de circulação para montagem e manutenção.
Por fim as cargas: aos módulos e perfis soma-se o vento, num telhado sobretudo de arranque, e a neve nas cotas altas. As ferramentas dos fabricantes determinam essas cargas e emitem relatório de análise estrutural — mas os dados de entrada, localização, altura do edifício e posição dos módulos na água, saem da visita.
Orientação e inclinação: o que muda nos números
A orientação e a inclinação reais não se estimam por fotografia. Para coordenadas na zona de Penalva do Castelo, 1 kWp com ângulos ótimos — 35° virado a sul — e 14 % de perdas de sistema dá cerca de 1 500 kWh por ano, segundo o PVGIS.
O mesmo 1 kWp, a 30° e virado a leste, dá cerca de 1 215 kWh no mesmo local: aproximadamente um quinto menos, sem nada mudar no equipamento. Base do cálculo: PVGIS 5.3 do Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia, coordenadas 40,72° N e -7,72° O, 14 % de perdas, consulta de 8 de setembro de 2026. É estimativa, não garantia.
Um telhado com duas águas aproveitáveis pode ainda compensar mais repartido do que concentrado numa só.
Sombreamento: uma sombra parcial não custa só a área que tapa
Registam-se os obstáculos — chaminés, antenas, águas-furtadas, empenas, edifícios vizinhos e árvores. O sol de dezembro passa muito mais baixo do que o de junho, pelo que uma sombra inexistente no verão pode cobrir módulos no inverno. E uma árvore cresce.
A consequência elétrica é a parte que surpreende. Módulos ligados em série partilham a mesma corrente, e um inversor central fica limitado pelo módulo mais fraco da cadeia, como a documentação de fabricante afirma. Os díodos de derivação isolam a parte sombreada, mas a perda não é proporcional à área tapada: pode ser muito maior.
Daí o papel dos otimizadores de potência, conversores por módulo que dão a cada módulo funcionamento independente sem abdicar do inversor híbrido e da bateria. Acrescentam custo e componentes no telhado, pelo que entram quando a visita confirma uma sombra inevitável — não por defeito. Os microinversores também tratam cada módulo em separado, mas injetam diretamente em corrente alternada: sem bateria, o que não se consome no momento vai para a rede, e acrescentá-la mais tarde exige equipamento adicional. Por isso não os recomendamos.
Quadro elétrico, terra e percursos de cabo
No quadro verifica-se a potência contratada, o tipo de ligação — monofásica ou trifásica — e o espaço livre para as proteções novas. O inversor tem de acompanhar a ligação existente: numa instalação trifásica, um equipamento monofásico desequilibra fases e complica a contagem.
Verifica-se o estado das proteções e o circuito de terra, que se confirma com medição e não se presume. E medem-se os percursos, da cobertura ao inversor e deste ao ponto de ligação, porque a distância determina secções de cabo e queda de tensão.
Do lado documental, a execução corre sob técnico responsável e fecha com termo de responsabilidade ou declaração de conformidade pela execução. Segundo a DGEG, as instalações de tipo C em baixa tensão têm inspeção inicial, com dispensa nas de habitação até 6,90 kVA.
Consumo real: a fatura e o perfil horário
Basta uma fatura anual recente, e dela interessam a potência contratada, o ciclo horário e o consumo por período — assunto tratado em como ler a fatura de eletricidade.
O perfil pesa mais do que o total anual. Os mesmos 6 000 kWh consumidos das 9h às 18h ou depois das 20h pedem sistemas diferentes: a E-REDES calcula o saldo em cada período de quinze minutos, e produzir ao meio-dia não compensa consumo da noite. A primeira conta, do consumo anual ao número de painéis, está em quantos painéis solares preciso.
É esse perfil, no diagrama de cargas quarto-horário do balcão digital do operador de rede, que mostra quanto excedente há para guardar e serve para dimensionar a bateria — detalhe em porque compensa guardar o excedente. Intenções de carro elétrico ou bomba de calor declaram-se na visita; se quer o carregador instalado por nós, veja o que inclui a instalação do carregador de carro elétrico.
Enquadramento na rede e controlo prévio
A potência instalada define o título: mera comunicação prévia até 30 kW e registo acima desse valor, no portal aplicacional da DGEG, ao abrigo do Decreto-Lei n.º 15/2022 e da regulamentação listada pela DGEG.
Na contagem, o operador de rede adequa sem custo o contador que não sirva o autoconsumo; acima de 4 kW instala-se contador totalizador, com o modem e o cartão GSM a cargo do cliente. Nas proteções de interligação há dispensa até 250 kW com inversores da lista da DGEG, mas a E-REDES declara preferir instalá-las — ponto que se decide em projeto.
Segurança na execução
Vê-se se a viatura chega, onde se pode subir material e se a cobertura é percorrível. A altura e a inclinação decidem os meios: andaime, plataforma elevatória, ou ancoragens e linha de vida. Coberturas frágeis, como o fibrocimento e as claraboias, exigem passadiços ou plataformas de repartição de carga — não se caminha sobre elas.
Isto entra na visita porque muda os meios a mobilizar e o tempo em obra, feito por equipa técnica própria.
O que ter à mão antes da visita
- A fatura de eletricidade mais recente, de preferência a anual.
- Acesso ao quadro elétrico e, se for seguro, ao telhado ou ao sótão.
- Planta ou projeto do edifício, se existir.
- Uma ideia dos hábitos: quem está em casa de dia, o que trabalha à noite.
- Intenções conhecidas — carro elétrico, bomba de calor, piscina, obras previstas.
O que sai da visita e o que ainda pode mudar
O cliente recebe a potência a instalar e o número de módulos, a estrutura e fixação por água de telhado, a localização do inversor e do quadro, o percurso de cabo, a produção estimada, as intervenções no quadro, o título de controlo prévio e o prazo. As condições de pagamento são 60 % na adjudicação e 40 % após instalação e comissionamento.
Fica em aberto o que só aparece ao abrir a cobertura, como madeiramento degradado, e o que depende do operador de rede. Esses pontos vão escritos como condicionais, em vez de desaparecerem para reaparecerem em fatura.
Porque é que um orçamento por telefone ou por satélite é um risco
Uma imagem de satélite dá o contorno do telhado. Não dá o estado do madeiramento, a fixação viável, o espaço no quadro, a medição da terra, o percurso de cabo nem a sombra de dezembro.
Um preço fechado sem esses dados tem dois destinos: é revisto depois de o cliente ter decidido, ou é cumprido com uma solução que não serve àquela cobertura. Nos dois casos o risco fica do lado do cliente. Não é má-fé: é falta de dados. Para saber o que pedir por escrito a cada proposta, veja como comparar propostas de painéis solares.
Peça um orçamento gratuito
A JP Solar Solutions projeta e instala autoconsumo, armazenamento e carregamento de veículos elétricos no Centro e Norte, com equipa própria a partir de Esmolfe, Penalva do Castelo. Alvará IMPIC 112765. Credenciais DGEG: EI n.º 3369 e TR Mickael Antunes DGEG 89244. A visita é gratuita e qualquer proposta fica sujeita a ela.
Pedir um orçamento com visita técnica gratuita — Mickael · 928 063 925 · geral@jpsolarsolutions.pt
Fontes
- DGEG — Instalações Elétricas de Serviço Particular: perguntas frequentes — confirma a figura do técnico responsável pelo projeto, execução ou exploração das instalações elétricas; a apresentação de termo de responsabilidade pela execução ou de declaração de conformidade pela execução por entidade instaladora; a sujeição das instalações de tipo C a inspeção inicial, com dispensa das instalações de habitação com potência igual ou inferior a 6,90 kVA; e a obrigatoriedade da declaração de conformidade pela execução acima de 41,4 kVA.
- DGEG — Autoconsumo e CER: pedido de inscrição e registo — confirma a mera comunicação prévia até 30 kW de potência instalada, o registo acima de 30 kW e a submissão no portal aplicacional da DGEG.
- DGEG — Autoconsumo e CER: enquadramento legal — confirma o Decreto-Lei n.º 15/2022, de 14 de janeiro, como diploma que estabelece o autoconsumo de energia renovável, e a lista de regulamentação aplicável, incluindo o Despacho n.º 4/2020, que aprova o Regulamento de Inspeção e Certificação e o Regulamento Técnico e de Qualidade, e o Regulamento n.º 8/2021 da ERSE.
- E-REDES — Autoconsumo individual: perguntas frequentes — confirma que o saldo quarto-horário é a diferença entre consumo e injeção em cada período de 15 minutos; que a E-REDES substitui ou adequa sem custos o contador que não esteja adequado ao regime de autoconsumo; que acima de 4 kW de potência instalada é instalado contador totalizador, com os encargos de modem e cartão GSM a cargo do cliente; e que o diagrama de cargas quarto-horário é consultável no Balcão Digital, secção Consumos.
- E-REDES — Ligação de unidades de produção até 250 kW — confirma que o Despacho n.º 30/2018 da DGEG dispensa as proteções de interligação e homopolar em unidades até 250 kW equipadas com inversores com as proteções exigidas para inclusão na lista de equipamento publicada no sítio da DGEG, e que a E-REDES considera a instalação da proteção de interligação a solução técnica mais adequada, cabendo ao titular comprovar que os inversores dispunham dessas proteções em bom estado de funcionamento.
- PVGIS — Comissão Europeia, Centro Comum de Investigação — cálculo direto pela API v5.3 em 8 de setembro de 2026 para as coordenadas 40,72° N e -7,72° O (zona de Penalva do Castelo), 1 kWp de silício cristalino em estrutura fixa e 14 % de perdas de sistema: com ângulos ótimos, inclinação de 35° e azimute 0°, produção anual de 1 499,54 kWh; com inclinação de 30° e azimute -90° (leste), produção anual de 1 214,67 kWh no mesmo local, ou seja cerca de 19 % menos. A base de radiação do PVGIS é atualizada periodicamente, pelo que se usam ordens de grandeza e não casas decimais no corpo do artigo.
- PVGIS — Manual do utilizador (Centro Comum de Investigação) — confirma a definição de inclinação e de azimute face ao sul, a existência da opção de cálculo dos ângulos ótimos para o máximo de energia anual, o valor por defeito de 14 % para as perdas globais de sistema e o tratamento do horizonte com a informação de terreno integrada no PVGIS.
- Enphase — Microinversores (documentação de fabricante) — confirma que, com microinversores, cada módulo funciona de forma independente, enquanto os sistemas de inversor central limitam a produção ao módulo mais fraco.
- K2 Systems — K2 Base (documentação de fabricante) — confirma a determinação automática das cargas de vento e neve e a emissão de um relatório de análise estrutural para o sistema de fixação projetado.
- Renusol — Sistema VS+ para coberturas inclinadas (documentação de fabricante) — confirma que a ligação à cobertura se faz por ganchos de telhado, parafusos de suspensão ou grampos de junta alçada, que a escolha do gancho permite a instalação nos mais diversos materiais de cobertura e subestruturas, e que o sistema é dimensionado com estática verificável.